Certamente que sim. Não existe nenhuma incompatibilidade entre o Budo e o dinheiro. Muito pelo contrário. A idéia de que isto não é possível vem da visão de que o dinheiro é mal de alguma forma. Mas não é isto que o Budo ensina. Na realidade ele lida com os princípios de conduta que devem estar presentes na vida de cada pessoa. O objetivo do Budo é o homem e não as coisas. Ele lida com o homem e seu lado interno. Se o lado interno está bem, este homem está em harmonia com todas as coisas. E isto inclui o lado financeiro. E isto é Budo.
Confunde-se o aspecto do ensinar por amor à Arte como sendo o princípio régio do total desapego ao dinheiro. Isto sem dúvida tem a sua validade, mas também tem o seu momento. No geral as pessoas que assim fazem têm sua própria forma de subsistência através de um trabalho qualquer ou porque tem sua aposentadoria garantida. Outro ainda tem o seu próprio trabalho e também cobra pelas aulas que dá e nem por isto é menos espiritual.
Mas existe também um outro lado que é o ensinar por amor à Arte a partir daqueles que dedicam a sua vida integralmente a cuidar da Arte somente e não dos trabalhos seculares. Presume-se que todos o fazem por amor a Arte que poderia ser expresso como sendo um verdadeiro sacerdócio.
O Budo não faz distinção entre o que cobra e o que não cobra (pois não há melhores ou piores), mas faz distinção para com os corações. E nisto até o que nada cobra pode estar fora do Budo por ter um coração cheio de deslealdades e um outro que cobra estar em harmonia.
Tem que ser entendido que para podermos estar envolvidos com atividades voluntárias, necessitamos sobreviver de alguma maneira quer como pessoa, quer como organizações, quer seja em mosteiros ou em templos.
O Budo nos ensina como aplicar aquilo que se aprende no Dojo, no combate pela vida... ![]()
AKSER Brasil
O Budo nos ensina como verdadeiramente lutar, não em oposição, mas em fusão, transcendendo o próprio combate. O mundo impõe regras ferozes para a sobrevivência e manutenção e o Budo nos ensina como aplicar aquilo que se aprende no Dojo, no combate pela vida.
É bem verdadeiro que houve uma comercialização do Karatê como objeto de consumo que o desfigurou. Mas em níveis profundos da Arte, esta é intocável, pois, o que já estava desfigurado era o coração do homem, entrando em conflito com o código de conduta do Karatê Budo.
Em resumo, um professor (de Karatê Budo) é um profissional e deve ser visto como tal. Ele não é um prestador de serviços e nem seu aluno é um cliente. Ele é um edificador das bases e seu aluno é a sua integração. Suas relações (professor/aluno), seus elos mais profundos não são comerciais, mas são ditados pelo amor à Arte e pela lealdade e isto os une até podendo ser chamados de família.
A integridade da arte é ameaçada quando o coração não está íntegro ![]()
AKSER Brasil
A integridade da arte é ameaçada quando o coração não está íntegro e aí o cobrar pode ser uma de suas expressões bem como o nada cobrar...
De igual forma a integridade da arte é também ameaçada quando tudo o que aluno quer é receber (Budo ausente), sem nada querer dar para aquele que dedica a sua vida (tempo parcial ou até mesmo integral) ao ensino e também tem necessidades para moradia, para alimento, família.
Enfim, se o nosso coração estiver íntegro (regido por honra, lealdade, benevolência) o lado financeiro não está em conflito com o Budo e eles sempre foram conciliáveis.
Pode sim. A Arte e a sobrevivência convivem lado a lado. O Karatê Budo é aplicado à vida e não somente dentro do Dojo. Isto foi ensinado por O´Sensei. Por outro lado ele também ensinou: “Transforma-te segundo o teu oponente (adapta-te ao teu oponente)”.
E é exatamente isto o que ocorre. Os tempos saíram do simples escambo para padrões bem precisos e complexos de sobrevivência. E temos que nos adaptar ou senão morreremos, seremos engolidos.
Quando vemos atividades que proclamamos como sendo gratuitas, temos que entender melhor. Não é bem assim. A verdade é que pelo menos uma pessoa no mínimo está pagando a conta deste “gratuito”. Se pensarmos a respeito de um monge ou um templo, ou seja lá o que for, alguém paga esta conta. Quem paga é uma outra conversa, mas o fato é de que sem alguém bancar não existiria templos nem monges.
Se você hoje é capaz de ler este texto, é porque alguém pagou para que você aprendesse a ler. E se você disser que ninguém te ensinou e que aprendeu sozinho, ainda assim o tempo que você empregou nesta tarefa foi debitado de alguém, mesmo que este alguém tenha sido você. No item que por vezes relegamos a segundo plano, até o nosso tempo ocioso, em termos de sobrevivência sempre é pago de alguma forma.
Aqui na AKSER Brasil não vivemos de ofertas de ninguém e ela tem que ser sustentável a fim de promulgar o próprio Karatê Budo Shotokai. Não importa o quanto nós tenhamos colocado do próprio bolso para a sua existência. Ela sempre vai necessitar. Então, para ela continuar a existir tem que gerar por si, pois ninguém ainda apareceu que se prontifique a pagar a sua existência... Nem um único alfinete.
Buscamos sobreviver sem modificar qualquer ensino e guiados pelo espírito do Budo.
Diríamos que não tem amparo formal ou legal de acordo com os Mestres do Budo. Trata-se de um problema de transmissão de ensino devido à influência dos valores ocidentais, de agregação e assim não é mais Budo. É o modismo ocidental transformando o que deveria ser uma arte em jogo. Infelizmente muitos exemplos que vieram do Japão, desde lá, já estavam corrompidos com os valores ocidentais fazendo com que o que foi ensinado como Budo, já não era.
O Japão deixou de ser o exemplo maior de própria expressão, o que é uma infelicidade. E se algo não for feito em caráter de urgência, o Budo poderá se transformar em uma lenda em suas próprias terras.
Alguns irão entender melhor se eu colocar a seguinte situação. Imaginemos que exportemos a Capoeira para o exterior, substituindo o berimbau por um saxofone, em vez de cantar "Paranauê", cantemos "This is my Way" e substituímos a ginga pela movimentação do Reggae. Isto tudo em virtude da entrada de outras culturas bem no seio da Bahia e sua assimilação. Ao chegar ao exterior, isto tudo é passado como sendo "Capoeira" legítima. Oras quem conheceu a Capoeira sabe que ela foi modificada e que não se usa saxofone, não se canta música em Inglês e o Reggae nada tem a haver com a sua ginga.
Esta é a condição do Budo pelo mundo, onde em cada país existe uma sorte de ensinamentos que são passados como sendo Budo e não são. São apenas as visões de suas próprias culturas alinhavadas com um sabor oriental. No fundo o Budo clama para ser ouvido e se prestarem atenção deixarão ele falar por si mesmo. Ele tem este poder.
Karate-do Shotokai EgamiRyu®: Ensino em São Paulo com Filié Sensei
"Se você continuar a praticar o Karate pelo resto de sua vida, um dia você se tornará um Sensei"