
Ocombate ( Kumite) é sem dúvidas a forma da prática que tem apelo diretamente não somente aos iniciantes mas também aos alunos mais antigos. Egami Shihan afirmou:
"Antes que fosse revelado por Mestre Gichin Funakoshi e depois adotado como prática, o Kumitê era ensinado aos alunos após este terem se tornado proficientes no Kata mas somente numa base individual e secreta..."
Muitas áreas poderiam ser abordadas com referência ao combate, em especial descobertas, mas sobre elas as palavras são instrumentos débeis para expressar suas realidades.
Há contudo algo pode ser adiantado: sem sombra de dúvidas, dentro do Karate de Mestre Egami, é atraves do Kumite que entendemos o verdadeiro sentido de " Karate ni sente nashi".
Gastei muito tempo pesquisando, examinando algo que pudesse transmitir não somente o objetivo do combate dentro do ensino Shotokai mas sua essência. Algo que pudesse representar a natureza da luta, sua concepção e plástica, sua energia manifesta, sua constituição nas partes individuais ou múltiplas, o traçado ordenado dentro de um sistema de caos de infinitas possibilidades e de poder olhar, nem que seja por uma pequena fresta, o momento final da batalha, onde o próprio combate é transcendido e transformado no que chamamos de unidade com o oponente.
Neste estado, define-se que vitória e derrota pertencem às rudezas do nascimento da arte, mas não é a via "Do"por onde ela caminha - já caminhou. Sobretudo a harmonia lhe dá naturalidade, a velocidade lhe dá sustentação.
As visões de Mestre Funakoshi e de Mestre Egami eram muito avançadas para o seus tempos. Talvez ainda o seja para o nosso. Mas também são frutos da observação simples do comportamento da natureza, de não ir contra ela, pois ao final de tudo o que se obtém é um somatório de forças, um equilíbrio de estados unificados - físicos, mentais e espirituais. Conserva-se assim a possibilidade de vida.
O combate no Karatê-do se alicerça nas tradições e ensinamentos mais nobres, no Budo. O Universo é a sua orientação.
O Objetivo do Combate
Digamos que o Karatê seja como subir uma montanha. Imaginemos que o topo da montanha seja como se fosse a essência de uma técnica e o caminho que leva ao topo seja como o treinamento e a prática.
A rota que os nossos mestres mostraram é a rota que supostamente deveríamos seguir. Chamamos esta rota de "Ho". Quando chegamos ao topo da montanha, verificamos que há muitas outras rotas para o seu topo. Esta é a idéia básica do "Do"ou "o caminho"; Ele não tem forma e tem algo em comum com tudo.
Portanto existe uma rota "Ho" para se tornar mestre em uma técnica e o "Do" que é sem forma e tem muitas rotas. O "Do" que almejamos ser mestres, através da prática de várias técnicas para alcançar o topo da montanha é universal.
Para alcançarmos o "Do" não temos que subir uma montanha em específico. Quando andamos na rua, o "Do" está constantemente envolvido. Ao vivermos a vida. e aceitando-a diariamente de acordo com o que o Karatê-do ensina, isto se torna como um curso de mestrado do "Do".
Assim um dia nossos corpos ainda que cansados, aprenderá o "Do" através da experiência e então iremos conscientemente sentir o "Do" e seremos portanto capazes de assimilar o "Do".
A nossa vida diária se ajusta a forma do caminho do "Do" do Karatê- do.
Junte a força de uma montanha,
A majestade de uma árvore,
O calor de um sol de verão,
A calma de um mar tranqüilo,
A generosidade da natureza,
Os confortáveis braços da noite,
A sabedoria das eras,
O poder do vôo da águia,
A alegria de uma manhã de primavera,
A fé de uma semente que brota,
A paciência da eternidade
E o centro da necessidade de uma família.
Mexa bem e,
Quando perceber que nada mais há para acrescentar,
A sua receita estará completada.
Olhe bem para esse delicioso alimento
E invente um nome para ele...
Que tal o Mestre Pai
Quando praticamos o zazen, nós limitamos a nossa atividade a sua menor extensão. A natureza universal é expressa quando mantemos a postura correta e nos concentramos no sentar. Então nos tornamos iluminados e expressamos a natureza iluminada. Ao invés de termos um objeto de adoração, simplesmente nos concentramos na atividade que fazemos em cada momento:
Quando reverenciamos, devemos simplesmente reverenciar; quando sentamos, devemos apenas sentar; quando comermos, devemos somente comer.
Se fizermos assim, a natureza universal ali estará. No japonês é chamado de ichigyo-zammaiou "samadhi de ação única." (Z)Sammai (ou samadhi) é "concentração." " Ichigyo é "uma prática."
Num passo mais elevado, ao estarmos completamente envolvidos pela prática, devemos seguir adiante, e alcançarmos uma liberdade total dela. Isto é o verdadeiro shikan-taza. Para compreender, olhe para o Monte Fuji e veja como ele é firmemente plantado, sólido, sereno, tranquilo, sem pressa...
O ZAZEN é a prática da meditação na posição "sentada". Praticando a meditação nesta posição Budha atingiu a iluminação (SATORI). Esse estado representa toda a filosofia ZEN.
Durante 6 anos. Budha experimentou todos os métodos das antigas religiões da Índia, mas ele nada conseguiu. Durante este tempo, ele se submeteu a um treinamento muito duro, que as vezes ultrapassava o seu limite. Excessivamente magro e fatigado, quase morre, se não fosse socorrido a tempo por uma jovem que o alimentou e cuidou. É então que entre todos os treinamentos recebidos, ele elege a "Via do Meio", o ZEN, e ele cria um novo método de meditação: o ZAZEN.
Em Japonês, ZA significa sentar-se e, ZEN significa meditação. Esse procedimento novo tem por base todas as práticas tradicionais, e o ZEN continua a ensinar com exatidão a prática do Budha.
ZEN é a calma absoluta de nosso espirito, é vazio ou vacuidade. (O ZEN é uma teoria dinâmica. Ela evolui ou se adapta a todas as circunstâncias).
Ora, a filosofia do Vazio "Sunyata" (Kung ou Ku) do budismo ZEN tem duas faces: uma da teoria da verdade relativa, a outra da verdade absoluta.
1. Verdade Relativa dos fenômenos -Senso comum - ciências - multiplicidade - filosofias
FILOSOFIA
(SUNYATA)
2. Verdade Absoluta - Realidade - Satori - Filosofia da Unidade - Verdadeiro ZEN
São entendidas por Verdade Relativa as afirmações de sentido comum, teses científicas, proposições filosóficas. Noções como "Karma", "Samsara", são mais abstratas mas continuam sendo verdades relativas porque elas podem ser apreendidas pelo intelecto. 
A Verdade Absoluta, ao contrário, não pode ser percebida pelo intelecto enquanto faculdade de racionalização, reflexão discursiva. A verdade absoluta está além das palavras e da lógica comum, se bem que tentamos fazer uma aproximação por termos como: (Sunyata) Vacuidade: (Tathata) Qüididade; (Prajna) Conhecimento Transcendente. Uma afirmação como "Toda coisa é vazia", entra na categoria de verdade absoluta.
As ciências são verdades relativas. No budismo, consideramos o mental como um sexto sentido que explora os dados dos outros sentidos e que pode ser ajudado por instrumentos, corno computadores, que multiplicam as relações e lhe permite utilizar mais eficazmente os resultados das investigações. A atitude científica, especificamente ocidental e que conduz a um conhecimento discursivo, não tem nada a ver com "sabedoria" no sentido budista. É unicamente um conhecimento de relações e memória.
ZAZEN, ao contrário, é verdade absoluta e não relativa. Praticar ZAZEN é atingir o SATORI. O ZEN considera a unidade, sem separar o Tempo, o Espaço e a Matéria. Ele dirige nosso olhar para nós mesmos, permitindo a sabedoria ilimitada surgir. Essa sabedoria infinita é completamente livre.
É de fato a sabedoria total e a liberdade total. Ciência e filosofia acadêmicas são sabedorias limitadas. A sabedoria do ZEN é (prajna) sabedoria transcendenal ilimitada, sabedoria budista. Podemos obtê-la pela prática do ZAZEN - por isso a prática é importante e necessária. Mestre Dogen diz: "Além do universo aparente, o espírito absoluto de todos os budhas e de todos os mestres são unicamente ZAZEN". O ZAZEN é a porta de entrada do budismo.
Por que praticar ZAZEN ? Qual é o objetivo do ZAZEN ? Resposta: "ZAZEN é seu objetivo, sem alvo, ele nos traz de volta a nós mesmos". Tudo tem um objetivo, quem quer que aja, coma, beba, escute música e complete uma ação, tem um objeto do qual ele é sujeito. ZAZEN não tem objeto e não tem sujeito, ele é unicamente junção com o EU ABSOLUTO. ZAZEN é Budha, ZAZEN é silêncio absoluto, ZAZEN é não-pensamento. ZAZEN é a prática e experiência da Sabedoria Suprema, ela nos harmoniza com o infinito, nos reintegrando na ordem universal.
O Zen e a prática do Zazen*
de Taisen Deshimaru
Karate-do Shotokai EgamiRyu®: Ensino em São Paulo com Filié Sensei
"Se você continuar a praticar o Karate pelo resto de sua vida, um dia você se tornará um Sensei"

A mais nova comunidada da Essência do Karate no EcGlobal Panel e outras Comunidades do Orkut
Acesse todos os RSS Feeds
Access all RSS Feeds
Adicionar AKSER Brasil aos Favoritos 
![]() |
|
|